LIBERTY / COPIA, 2026
Impressão jato de tinta em papel, cola,
fitas adesivas, papel vegetal, adesivos,
lápis e barra de óleo, aço, ímãs
158,5 x 109 x 4 cm (papel)
190 x 120 x 4 cm (com placa de aço)
A primeira camada desta grande colagem é uma impressão ampliada da edição de 3 de junho de 2007 do jornal El País. Visível na parte inferior está a manchete “esta copia és el original” (“esta cópia é o original”). O artigo trata da exibição da escultura de Richard Serra em Nova York para a retrospectiva do artista no MoMA, além de traçar as origens do título, que faz referência ao bombardeio da cidade líbia de Benghazi. A conexão entre a cidade americana e a intervenção imperialista informa as diferentes sobreposições propostas pela obra.
Na parte superior da composição, um fragmento de um cartaz do desaparecimento da Estátua da Liberdade, de David Copperfield, em 1983, é colado sobre o jornal, destacando a frase “A Estátua da Liberdade Desaparece”. O gesto propõe uma leitura sobre a liberdade em relação às estratégias imperialistas e ao espetáculo político.
Abaixo do pôster, aparecem várias cópias de uma litografia produzida por Richard Serra em 2004, um dos raros exemplos do envolvimento direto do artista com eventos políticos contemporâneos. Originalmente concebida como uma edição beneficente para um comitê de ação política de Kerry-Edwards, a obra existe em pelo menos duas versões: uma com a palavra completa “BUSH” e outra abreviada como “BS”. A impressão foi posteriormente incluída na Bienal do Whitney de 2006. A obra se apropria da fotografia, agora icônica, de um prisioneiro iraquiano torturado no escândalo da prisão de Abu Ghraib. Pode-se questionar se a força política da imagem de Serra pode permanecer intacta à medida que a fotografia original gradualmente desaparece da memória coletiva. Ao mesmo tempo, a obra se alinha a uma história muito mais longa de representações impressas de atrocidades em tempos de guerra — de Goya em diante — cujas imagens continuam a reter sua força perturbadora ao longo do tempo. Nesta colagem, a gravura original de Serra é transformada em uma série de adesivos.
Na parte superior da composição, o olho/luz central de Guernica, de Picasso, lança seu olhar sobre a superfície da obra, evocando a antiga crítica à racionalidade iluminista em relação à guerra, à violência e à catástrofe.
essa obra faz parte da exposição to vanish





